Diga NÃO mais vezes
- Quellen Herek

- 15 de mai.
- 6 min de leitura
Antes de iniciar sua leitura, devo esclarecer alguns pontos: Esse texto não tem como intenção ofender ninguém.
Diga NÃO com amor, mas diga, repita, grite e empodere-se de sua própria vontade e de suas próprias escolhas!
Diga NÃO mais vezes!!!
Amo escrever e escrevo sobre mim, tenho propriedade sobre essa história porque a vivi e tenho marcas profundas dentro do coração ainda e o ato de colocar para fora em forma de texto, ajuda a transmutar muitos sentimentos!
Depois de alguns anos, algumas reflexões e conclusões, pude ver que se eu tivesse descoberto o poder no NÃO mais cedo, teria evitado muitas dores e feridas em mim!
Sou a mais velha entre os três irmãos. Sempre fiquei responsável por limpar, cuidar, educar e dar a atenção que minha mãe em meio a rotina exaustiva de trabalho não tinha condições de dar.
Nasci em uma família onde minha avó era a rainha do meu mundo e minha mãe era a princesa, minha tia era a melhor amiga e eu vivia feliz. Era banhada de energia feminina, de mulheres fortes, guerreiras, intensas e que mesmo com suas diferenças, exalavam amor.
Quando me mudei para São Paulo, 1993, meu poder de escolha era nulo. Vim a contra gosto, pois minha avó havia ficado lá na cidade do interior do Paraná onde nasci.
Aqui, sempre trabalhei, eu era a mãe presente que meus irmãos não tinham. Recebi nas costas todas as frustrações que minha mãe passava durante o dia e tudo que acontecia de errado em casa ou com os irmãos, eu era a responsável. Carga dura, muito dura!
Não tinha o poder do não, tinha que fazer até quando não queria.
Logo achei uma solução para os meus problemas.
A regra em casa era: Se engravidar, está fora, está na rua!
Conheci meu ex marido, ser humano abençoado, e que merece muitas flores em seu caminho. Amo ele até hoje, por ser a pessoa que é!
Eu 15 anos, ele 17.
Vamos ter um bebê? (Eu no auge da minha maturidade de adolescente).
Ele: Vamos!
Foi o único SIM fácil que tirei dele! Rs
Tivemos o melhor e mais lindo fruto de uma relação, o filho, que hoje está com 25 anos e mais lindo do que nunca!
Nesse meio tempo, houveram muitas lágrimas e muitas oportunidades de dizer NÃO, todas perdidas...
Ouvi gente de tudo que foi lugar dando palpite na minha vida.
Saí de casa quando peguei o teste de gravidez. Era como se eu tivesse com a minha carta de alforria em mãos.
"Acabou, agora vou construir a minha casa e a minha vida!"
Fui morar na casa dele, com a família dele.
Minha sogra, que mais era uma mãe pra mim do que qualquer outra coisa, me ajudou muito e me inspira até os dias de hoje. O casamento acabou mas meu amor por aquela mulher, JAMAIS!!!
Lembro que a partir do momento que meu filho nasceu, ainda tomava conta das coisas da minha mãe e irmãos, banco, compras e tudo mais.
Minha mãe sempre foi muito apelativa para o sentimental, acho que fazia isso sem perceber, carregava tanto peso nas costas que ela mal sabia onde iria parar aquilo tudo.
Quando me mudei para a minha própria casa, 3 anos depois de estar morando com a sogra, ainda intermediava brigas entre meus irmãos, minha mãe e o resto da família, incluindo minha tia com filhos e o também ex marido, que era marido na época.
Sempre fui o centro de tudo ali, onde todo mundo chegava para falar algo, pedir algo, chamar por socorro. Nesse momento tinha entre 18 e 20 anos.
Quando começamos a ter problemas com minha irmã caçula, lembro de ter saído de casa às 2h da madrugada com meu filho dormindo para procurar por ela na rua.
O primeiro NÃO consciente tinha que ter sido dado efetivamente ali!
Eu me sentia responsável pelo mundo, me sentia mãe dos meus irmãos e mãe da minha mãe.
Quando meu casamento acabou por problemas técnicos, foram muitos dedos na cara, foram muitos xingamentos por parte da minha família (leia-se Mãe), e eu só tive apoio de 4 pessoas naquele momento: Meu ex marido, meu filho, o Zé (falecido marido da minha sogra) e da própria Sogra, que mesmo me odiando por fazer o filho dela sofrer, nunca soltou da minha mão!
Me mudei, chorei, me caguei de tanto medo e chorei mais um pouco.
Dois anos depois, resolvemos ir para o "tira teima", eu e o ex!
Mais dois anos e não deu em nada, problemas técnicos de novo. Resolvemos que seria mais saudável cada um no seu espaço e assim foi feito.
De novo o apoio veio da minha Sogra:
"Quellen, que você se encontre e encontre felicidade no seu caminho menina!"
Essas foram as palavras dela quando me virei para ir atrás do caminhão de mudança em 2018, para a casa de um ex amor.
Entre esse período de mudanças, minha irmã se mudou para o Paraná e estava com problemas técnicos no casamento também. Minha mãe, que é apaixonada por meu sobrinho, ficou arrasada com essa mudança, entrou em depressão e vemos claramente que tudo que ela não pôde nos dar em atenção, carinho e financeiro, ela faz com ele e isso até um ponto é bom.
Só que essa tal mudança acabou por respingar em meu sobrinho e um dia minha tia me liga:
"Quellen, fui visitar sua irmã agora e não pude nem ver o Gabriel."
Eu que já tinha passado por todo tipo de abuso e porradas literalmente quando criança, entrei em desespero, porque uma criança de seis anos não teria como se defender. E onde estava minha irmã que não estava vendo?
Minha mãe disse que não teria forças para ir até lá. Que não conseguiria resolver nada.
Mais uma (das milhares), oportunidade para o meu tão sonhado NÃO foi perdida!
Treze horas de viagem até onde eles estavam, cheguei e vi que de fato tinha acontecido algo, e queria trazer meu sobrinho, queria tirar ele daquele ambiente doente, queria tirar ele de perto de pessoas doentes. Não pude fazer muito a não ser ameaçar o causador daquela mancha na pele do meu sobrinho e jurar que se isso se repetisse, eu iria matá-lo.
Voltei para casa pior do que fui, duas semanas de cama, sem forças nem para tomar banho, me sentia derrotada.
Um pouco antes do meu irmão do meio se mudar também para o Paraná, tentei falar com ele algumas vezes, batia na porta do quarto por muitos dias e ele não me atendeu. Pensei que estava sendo a pior irmã desse mundo que meus dois irmãos ao mesmo tempo tinham ido embora e a culpada era somente Eu!
Depois de um ano sem contato direto com eles, pude ver que o que faltou ali para todos foi um NÃO!
Não, não vou fazer isso!

Não, eu não sou mãe deles, cuida você que é a responsável legal!
Não, eu não sou obrigada a limpar, lavar e cozinhar para você!
Não eu não tenho que fazer o que você quer para você me amar
Não, eu não sou uma vagabunda porque engravidei com 15 anos!
Não, eu não sou sua empregada!
Não, eu não sou perfeita!
Não, eu não vou cuidar de mais ninguém a não ser de mim e do meu próprio filho!
Não, eu não vou resolver problemas de outros!
Não, eu não sei todas as respostas!
Não, eu não amo incondicionalmente!
Não, eu não engoli tudo que aconteceu comigo!
E finalmente: NÃO, não irei deixar de postar esse texto!
O NÃO pode salvar a sua vida, pode salvar o seu corpo, pode salvar a sua mente e o seu coração!
Não tenha medo de repeti-lo quantas vezes forem necessárias, pois isso pode te tirar de um papel que não é seu, que não é responsabilidade sua.
Amo minha mãe e meus irmãos, mas olhando hoje, muitas coisas poderiam ter sido diferentes se eu tivesse apenas assumido o papel de filha.
A garra que minha mãe me ensinou a ter, nenhum ser humano nesse mundo poderia ter me ensinado, mas foi na base da dor que aprendi muito do que sei hoje.
O NÃO começou a fazer sentido para mim, nesses últimosanos e como eu amo essa palavra, ela é segura e cheia de personalidade, ela vibra verdade, vibra amor.
Falar NÃO, não é ser egoísta ou mesquinh@, é ser você e entender seus limites e até onde pode chegar. Isso o faz um ser humano inteligente!
Diga NÃO mais vezes!
Diga NÃO com amor, mas diga, repita, grite e empodere-se de sua própria vontade e de suas próprias escolhas!
Quellen Herek — Guardiã do Templo da Lua, Cunha/SP



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