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Aceita que dói menos

Já ouviram aquela expressão “aceita que dói menos”?



Estou eu aqui hoje, completamente em crise e ainda assim feliz, como?

Crise por ter demorado tanto tempo para aceitar a minha linha de atuação na VIDA e feliz por ter entendido e aceitado, depois de tanto tempo, meu caminho.

Vou contar hoje um pouco mais sobre minhas idas e vindas com tantos nomes de páginas e "instagrans" que resultaram nesse site maravilhoso e adjacentes.


Desde criança, sempre tive um contato muito especial e intenso com o reino mágico, mas quando somos crianças, todos são amigos, outros apenas conhecidos e o restante são monstros. Nunca tive muita voz em casa com relação a esses assuntos, minha mãe atarefada com dois filhos e completamente abalada com o nascimento da minha irmã (filha de número três), não conseguia me ouvir falar sobre o homem de mais de 2 metros de altura que me olhava dormir todas as noites em que estava na casa da minha tia lá no sítio, que os olhos dele eram amarelos e amendoados, que se escondia atrás de uma capa preta e usava um chapéu preto para nitidamente esconder sua cabeça. Muitos menos das minhas experiências com dragões, exus mirins e tantas outras coisas que me aconteciam naquela cidadezinha no fim do mundo ao qual fiz parte enquanto criança.

Me mudei para São Paulo entre meus 8 e 9 anos, e aos 10 já tinha desenhado meu primeiro tarô (pena não ter mais), um dia levei para a escola e a professora veio brincando me tirar uma onda:


“Huum, então você é cartomante?

Eu: Não sei o que é, mas eu leio as cartas, quer experimentar?”


Não faço ideia da pergunta que ela fez, nem da resposta que dei, sei que ela nunca mais me deixou brincar de ler as cartas na escola e jamais veio perguntar qualquer outra coisa. Kkk

Então comecei a estudar magia angélica em 1998 para uma feira cultural na escola. Ali, apresentaríamos o universo dos anjos que estava na moda nos anos 90 para o pessoal da escola e os visitantes que iriam vir até a feira naquele dia. Foi quando vi que jamais daria para me afastar desse mundo, tudo começou a ficar muito intenso. Comecei a estudar muito e procurar algo que não fazia ideia do que era. Não tinha computador quando nova, então passava horas procurando sobre “bruxaria” na biblioteca da escola, na biblioteca pública da cidade que morava, visitava sebos e tudo mais, mas nada! Um dia, ganhei uma agenda de uma amiga, se chamava Diário da Bruxa, eu li a agenda inteira que era cheia de inscrições e mensagens de planetas, dias mágicos e tudo mais. Conheci então a série de revistas Wicca e ali comecei despretensiosamente a ler a aprender, demorei mais de um ano depois de ler a primeira Wicca, para fazer um ritual. Da magia angélica até ali, foram 6 anos de estudo e seis anos de aprendizado.

 

O chamado se fez presente e quando a Deusa chama, nós simplesmente nos doamos diante de tamanho amor. Me dediquei a ela e tudo começou a caminhar para além do meu quarto e da minha casa. A família sempre dizia: “Quellen, vai trabalhar com isso, vai atender, vai ajudar as pessoas.” Amigos diziam: “Você tem que sair de dentro de casa e deixar as pessoas te conhecerem.” Eu sempre respondia: “Não quero ser conhecida, quero ser uma bruxa de fundo de quintal, cuidando das minhas coisas e ajudando quem vier até mim!”

Achava que isso seria suficiente para o meu caminho, que seria suficiente para meu futuro, mal sabia eu que a Deusa iria pedir mais, muito mais!

Passei por traições com “amigos”, pessoas que realmente me fizeram quase que perder a fé no ser humano e na magia. Seres que ainda hoje só existem para levar caos e confusão para a vida dos outros em nome de serem conhecidos. Isso só me fez querer estar ainda mais longe de ministrar cursos, terapias e “ajudar pessoas”.

Só que a Deusa ainda não tinha chegado para cobrar a promessa que fiz a ela em minha iniciação!


Um belo dia recebi um recado do astral: “Se prepare, tudo vai mudar e antes de melhorar, vai piorar.” Em algum tempo achei que aquilo afetaria meu casamento e minha família, afetou! Me separei do ex-marido, saímos os dois de casa e cada um foi morar em um lugar. Nesse meio tempo, perdi minha referência de mundo e de lar. Chorei um bocado e um dia indo para o trabalho briguei com Ela e gritei lá dentro do meu universo: “EU NÃO ACREDITO EM MAIS NADA, NÃO QUERO MAIS SABER DE NADA ESPIRITUAL NA MINHA VIDA!”

De alguma forma o dia correu leve, em paz e eu não pensei um segundo sequer N’Ela. Quando peguei o trem para voltar para casa, me vi agradecendo pelo dia que havia passado e como tudo estava tranquilo. Soltei uma baita risada dentro do trem e continuei como sempre me lembrava, apaixonada por essa energia misteriosa e apaixonante que Ela me traz.


Neste ano que vive até agora, já estudei de tudo um pouco e pratiquei outro tanto de coisas, mas nunca minha escolha foi me dedicar totalmente a isso. No finalzinho de 2017 recebi outra mensagem do astral: “Está na hora de se preparar para ensinar o que você sabe e o que irá aprender.” 

Em meio a um processo na terapia, decidi fazer Naturopatia e essa foi a minha fala no dia que me apresentei para a turma de colegas: “Estou aqui para aprender e assim poder ensinar!”


Antes de mais nada, nesse processo todo e prestes a completar 28 anos de iniciação e dedicação a Ela, pude ver que minha cura veio primeiro. É impossível você ajudar alguém sem saber quem você é antes de mais nada. É simplesmente inaceitável você colocar em seu currículo que é mestre disso, doutor daquilo e simplesmente não vivenciar sua própria verdade. Tem dias que choro, que me viro do avesso, que quebro a cabeça e que passo meu desodorante cheio de alumínio ainda, mas tem dias que as lágrimas cessam e posso ver meu progresso como SER HUMANO, posso ver que em minha trajetória mágica, não tenho do que me envergonhar. Nunca abrir um círculo para prejudicar ninguém, nunca acendi uma vela para apagar a luz de alguém, nunca em tempo algum como Quellen me deixe tomar por decisões onde outras pessoas sairiam prejudicadas magicamente e nem na vida mesmo. Tenho um extremo orgulho e amor por minha caminhada e hoje, BRUXA DE FUNDO DE QUINTAL NO MEU CANTO, não me cabe mais! Tudo ficou muito maior e muito melhor do que poderia sonhar.

 

Quando recebi minha iniciação de benzedeira, uma das luzinhas que estão/estavam alia apagada, acendeu de repente e me fez ver o tamanho do meu coração e o tamanho das minhas mãos, elas pode chegar até onde eu permitir que chegue e nesses tempos de loucura coletiva, me dispus a ajudar a quem eu encontrar e chegar até mim. 

Tentei vários nomes para me apresentar ao mundo, mas não tinha coragem de assumir realmente quem eu Sou, o que eu faço e no que acredito, por medo de julgamento e de “será que as pessoas não acharão ruim?”


Agora já não vejo mais esse tipo de bloqueio na minha frente e nem em meu coração porque sou assim e não sei ser diferente disso!

Minhas opiniões mudaram, minha forma de enfrentar a vida mudou, as músicas mudam, o cabelo também, mas jamais meu amor por Ela mudou, não diminui, não apaga, não morre! Por Ela estou aqui assumindo quem sou e com Ela sigo fazendo o que acredito ser certo para o meu coração. 

Por isso, nasceu a Bruxa Natural e agora, o Templo da Lua assumindo seu real poder, o poder de AMAR e de ESTAR presente nesse tempo como Quellen.


Então a expressão "aceita que dói menos" é o resumo da minha trajetória nesses anos e a história toda, segundo o astral, nem começou direito! 


O último recado que recebi do astral foi o de não me esconder mais e nunca mais sufocar a magia que existe em mim!

Então vamos viver e viver o melhor de tudo, por mais que as lágrimas venham me lembrar que tudo é um processo de aprendizado. Perder a fé? Jamais!


Quellen Herek — Guardiã do Templo da Lua, Cunha/SP


 
 
 

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